domingo, 7 de julho de 2013

Carta para o meu velho pai.

(na foto, eu, feliz, com chiclé na boca)

Oi, pai!
Faz tempo que não conversamos, por isso resolvi escrever.
Sei que suas vistas já estão cansadas demais para ler algo muito extenso. Creio também que seu corpo esteja tão fraco que mal consiga pegar essa carta na mão.
Mas, pai, eu não posso deixar de falar com o senhor! Eu não posso e não quero.
Eu sei também que o senhor nunca responde minhas cartas porque não gosta de escrever, e eu gostaria de lhe dizer para não se preocupar com isso. Eu escrevo para o senhor porque o amo muito e quero deixar isso claro, nada mais. É lógico que eu ficaria muito feliz em receber alguma carta sua, mas jamais vou exigir nada com relação a isso, pois eu acredito que existem pessoas que gostam de escrever, outras que gostam de falar, outras que gostam de cantar e outras que simplesmente gostam de ler, apenas ler.
Eu acho que não tenho muitas novidades, a não ser que estou feliz.
Pois é, estranho eu falar isso né?
Aliás, estou tendo uma insônia danada, mas não por causa do medo e da dor que antes me dominavam por completo. Fique tranquilo que não é isso!
Na verdade, meu velho, eu simplesmente estou feliz demais para deitar a cabeça no travesseiro e esquecer por algumas horas o quanto a vida tem sido generosa comigo. 
Eu sei que não adianta tentar te enganar: os problemas continuam. Talvez estejam maiores que antes.
Mas, sabe, mesmo assim eu estou feliz, pai.
Eu só queria que o senhor soubesse disso e ficasse tranquilo, pois sei o quanto se preocupa com nós quatro.
Eu estou feliz e o sorriso tem sido uma constante em meu rosto. Espero que as rugas em meus olhos continuem aumentando gradativamente devido aos risos que dou durante o dia.
Se eu bem te conheço, você deve estar se perguntando qual o motivo de tanta felicidade, certo?
Ah, pai, são tantas coisas... Algumas são mais simples, como fazer o pessoal aqui de casa rir. Outras são  maiores, até maiores que eu, literalmente. E dessas outras, uma delas eu ainda nem consigo explicar direito. Não sei dizer ao certo o que é ou o que será. Eu só sei dizer como me sinto com esse tal motivo: feliz. Demais.
Prometo que te escrevo sobre tudo isso assim que der.
Como eu disse, já deve estar cansado demais para ler meus textos extensos e intermináveis.

Quando der, aparece aqui em casa. Sei lá, é que estou com saudade, sabe?

Bom, acho que é isso!

Um abraço apertado com a maior saudade que já existiu.

Da sua filha que te ama e sente tua falta mais que tudo.

Gabriele Schillo



2 comentários:

Dedé disse...

Que bom te perceber superando as dificuldades. Uma pessoa com tanto talento para a vida não pode mesmo perder tempo com tristezas. Do teu fã.

Mário Finard disse...

que fiques cada vez mais feliz pequena irmã e que cada dia um problema diminua e uma alegria aumente na sua vida.
tudo de bom!