terça-feira, 22 de junho de 2010

Revolta

Eu juro que não queria que fosse assim, desse jeito.
Mas, pouca coisa posso fazer para que isso não aconteça.
Tenho medo dos dias e das noites que virão aos poucos.
Tenho medo também daquele pequeno pássaro que sobre meu ombro pousa cantarolando pequenas cantigas de dormir.
Tenho medo que em uma dessas pequenas cantigas eu acabe dormindo para sempre.

Vocês entendem o que eu digo?
Não. Claro que não!
E se entendessem, pouco importaria, não faria diferença alguma, pois nem você, nem tu, nem ninguém pode tirar essa caverna escura que eu construi dentro de mim mesma.
Essa caverna que eu construi com a ajuda dessa vida podre e injusta que não me deixa sequer sonhar o pouco de sonho que me resta.
Essa vida que não perturba só a mim, mas aqueles que amo também...

Vivam, seus Felizes, e me deixem em paz, literalmente.
Sorriem, seus Felizes, e me deixem em paz, por favor.
Sonhem, seus Felizes, e me deixem em paz, pelo amor de Deus.


Danem-se os sonhos que eu sonhei um dia.
Dane-se a vida que vivi um dia.
Dane-se tudo que algum dia jurei ser bom para mim.

Dane-se, dane-se, dane-se.
E ponto final.

(Desculpem, foi só um desabafo. As outras postagem não são agressivas desse jeito.)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Memorial e Largo Valério Schillo


Resolvi postar aqui o texto que escrevi e li na inauguração do Largo feito em homenagem ao meu pai...


Espero que todos gostem.



Cada palavra é resultado do pulsar do meu coração.


Cada emoção é resultado de um amor tão intenso e incondicional que são impossíveis de serem traduzidos em poucas letras e expressas em tão pouco espaço de tempo.



18/12/2009



"Falar de quem a gente ama é sempre muito complicado.


Mais complicado ainda é falar de quem a gente ama sem poder olhar nos olhos dessa pessoa e sentir um abraço de retribuição. É assim que me sinto hoje: falando para tantas pessoas, mas ao mesmo tempo me sentindo sozinha.


Meu pai, Valério Schillo, foi um grande lider, empreendedor e profissional. Todos o conhecem pelo seu espírito inovador e seu caráter incontestável.


Contudo, não vim até aqui para falar de um Valério que todos conhecem. Vim até aqui para falar de um Valério com o qual poucos tiveram a honra de conviver. Um Valério que era filho, irmão, pai, marido, cunhado e amigo. Uma pessoa de humildade incomparável com as unhas sujas de barro por plantar grandes sonhos na terra. Um homem de fé inabalável que via na igreja e em Deus a única fonte de forças para atingir os seus objetivos.

Este Valério que poucos conheceram trazia a família como uma relíquia, um objeto de adoração, uma base indestrutível e que merecia todos os cuidados para que nada de mal acontecesse. Era um Valério que não tinha irmãos, ele tinha 'manos', de coração e de alma.

Meu pai era e ainda é, de toda forma, meu melhor e mais fiel amigo. E não apenas meu, mas acredito que de muitos que o conheceram. Um irmão, um amigo conselheiro que não media esforços para ajudar aqueles que amava. Um homem que baseou sua vida inteira nos ensinamentos repassados por seus pais, trazendo consigo os valores da Igreja, da Família e da Escola.

Ele, meus queridos amigos, lutou até o fim. Nunca deixou de acreditar que um dia subiria novamente em seu pequeno trator para cortar a grama do tão sonhado centro ambiental. Que um dia subiria novamente a rampa da escola que ele tanto amava e pela qual dedicou toda sua vida. Que se reuniria com sua tão amada família para comemorar datas especiais ou simplesmente para ir pescar. que comemoraria o retorno do Ypiranga para a primeira divisão. Ele sempre acreditou na vida, ele sempre teve esperança.

E é por isso que nós, a tua família, queremos te agradecer por todos os teus ensinamentos, pois se tu foste importante para a comunidade erechinense, nem imaginas quão grande é a importância que tens para aqueles que realmente te amam.


Somos gratos de todo coração e te amaremos por toda eternidade.


Obrigada, Pai, irmão, filho, amigo.
Muito Obrigada Valério Schillo."

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Poucas palavras


Uma vez, disse Carlos Drummond de Andrade em um de seus poemas:

"(...)Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.(...)"


E com estes versos, não digo mais nada.
(Na foto, metade de mim.)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Não ame




Não ame.


Amar pode modificar toda a estrutura que, a principio, não poderia ser abalada.
Amar causa calafrios.
Causa vontade, desejo incontrolável de querer e querer, e só.

Amar te deixa bobo, te deixa com saudade.
Te deixa preocupado.
Amar te faz tomar sorvete, comer chocolate, engordar.
Amar te deixa sem fome, sem vontade pra nada, apenas amar.
Amar te faz fazer coisas escondidas, coisas sempre vistas aos olhos de quem não ama.

Amar faz teu olho brilhar, te deixa com náuseas, te embrulha o estômago e dá "friozinho na barriga".
Amar é rotineiro e sempre cheio de surpresas.
Amar te faz dormir e acordar pensando na mesma pessoa.

Amar te faz falar bobagens, fazer bobagens, ser uma bobagem.
Amar te modifica por completo e te torna incerto.
Sem certeza alguma, mas com toda a vontade do mundo de tentar.

Amar faz doer o coração, faz doer a alma.
Amar exige atenção, compreensão.
Amar é horrível.
Tem efeitos colaterais muitas vezes irreversíveis.
Não existe remedio, não existe nada.

A gente acaba amando sem que menos se espere.
Amamos pessoas distantes, amamos quem está ao nosso lado.
Podemos amar quem está no norte, no leste e até mesmo oeste.
Mas quase sempre ao sul, perto de onde mora o coração, está um verdadeiro amor.

Um amor que dá raiva, te deixa braba, te faz gritar.
Um amor que dá saudades, que te corroe por dentro.
Um amor que muitas vezes não se sabe que é.


Um amor que poderia não ser.
Um amor que deve ser e ponto.
Um amor que permanece vivo, em chamas.

Amor é algo de outro planeta.
Um não-amor é que deve ser bom.
A gente não se preocupa, não chora, não perde.
Ele simplesmente não existe e, por assim ser, não é.

Por isso, não ame.
Amar é para os fortes, para os ricos e para os famosos.
Amar não é assim, pra mim, só se fosse normal e não fosse a melhor coisa que eu já senti.

Gabriele Schillo










sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cachorros

Eu tenho uma cachorra.
E pior: é uma pintcher!

Quando eu deito debaixo das cobertas quentinhas, ela vem e chora para que eu a cubra também.
Pra que?
Cachorro tem que passar frio mesmo.


Ela é pequena e gorda.
Ela é gorda e feia.
Tem dois olhos saltados e meio metro de nariz.
Cachorro tem que ser feio mesmo.
Acho que essa é a condição básica para sua existência.

Quando eu sento à mesa para comer, ela vem e choraminga querendo um pedaço de queijo.
Ora bolas, onde já se viu?
Cachorro tem que comer ração, caso contrário que coma os calçados.

Quando chego em casa ela vem abanar o rabo (que não tem) em busca de algum agrado.
Eu a ignoro como se nada estivesse acontecendo.
Imagina só, ter que dar minha preciosa atenção à uma cachorra.
Cachorro tem que ser ignorado, se não pensa que é rei da casa.

Quando chega alguém ela já avança.
Eu dou alguns gritos e ela corre com o rabo (que não tem) entre as pernas.
Veja bem se eu preciso de guarda-costas.
Cachorro tem que ficar num canto quando tem visitas.

Acho que cachorro nem devia existir.
Só servem pra nos dar carinho e nos alegrar quando estamos tristes.
Só servem para que nos apaixonemos inevitavelmente por eles mesmo sabendo que eles não vão durar nossa vida inteira.
Só servem para serem nossos melhores amigos quando ninguém mais quer nos escutar.
Só servem para mostrar ao "ser humano" o que é SER humano.
Só servem para mostrar o quanto a solidariedade é linda e nos torna melhores.
Só servem para mostrar que as guerras são apenas comprovações da nossa mais pura ignorância.

Cachorros, acho que só eles deveriam existir.
Gabriele Schillo


(Na foto a Tifany, posando toda toda pra foto ^^)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Morrer é ridículo


"Morrer é ridículo", disse Pedro Bial em um de seus famosos textos.

De fato, morrer é quase um crime.
Quando tudo ia bem, morremos.
Sem qualquer explicação.

Mas, o que Pedro Bial não disse é que morrer é ridículo para quem fica, e não para quem vai.
Quem fica sofre, chora, fica morto em vida.

Mas, para quem vai, morrer é divino.
Tão divino que mesmo a morte mais dura se torna doce depois de acontecer.
Não se sente mais nada.
Nem o frio, nem o calor. Muito menos sente-se dor.
Não se escuta mais nada.
Nem as mentiras, nem as bobagens. Muito menos escuta-se a falsidade.
Não se vê mais nada.
Nem as tempestades, nem os feios. Muito menos vê-se o sofrimento.

De pó somos feito, e pó viraremos enfim.

Morrer é divino.
Tão divino que prefiro ficar por aqui mesmo.
Sentindo o que não quero, escutando o que não gostaria, e vendo tudo aquilo que poderia ser tapado (não com a terra, mas com a própria rendição to ser humano à felicidade)

Viver é sim ridículo.
Vivemos tão intensamente que nos tornamos vulneráveis à qualquer coisa, até mesmo à morte.
Vivemos e nos perdemos em vida, às vezes sem nunca nos encontrarmos.
Viver é tão ridículo quanto morrer.
Tão ridículo que chega a ser saboroso.
E quando o sabor se torna bom, tentamos ao pecado.
Viver é ridículo.
Viver é pecar.
Viver é esperar.
Esperar algo que só saberemos se encontramos ou não quando estivermos prestes a morrer.
Esperamos a felicidade... Uma felicidade imposta, que poucos têm.
Felicidade esta que vivemos buscando, e morremos esperando.
E por mais cruel que seja, é bom que vivamos na constante busca da felicidade.
Caso contrário, viveríamos para que?
Buscando o que?
Vivendo ridicularmente só por viver?

"Embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu." Luis Fernando Veríssimo.


Gabriele Schillo

(Na foto o pôr-do-sol mais lindo. Porto Alegre, RS. Parque do "gigantinho")

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Um pequeno desabafo

Já tenho mais de 5 postagens em meus rascunhos que não consigo concluir.
Isso me irrita.

Não sei por que, mas tem algo que anda me deixando um tanto quanto desconfortável nesses últimos dias.
E esse desconfortável me afeta diretamente na hora de escrever.
Não sai, não adianta, eu já tentei, juro!

Eu olho para esta tela do computador e ela parece retribuir cinicamente meu olhar dizendo: não, você não vai conseguir escrever.

E o pior é que eu acredito nela.
Não só acredito, como também não me esforço para contrariá-la.

Inspiração é algo que não me basta para escrever. Preciso de mais, preciso de conteúdo mais sólido, de algo que realmente mexa com meus sentimentos, algo que me emocione e que eu possa transbordar essa emoção em palavras.
É, é disso que eu preciso.


Postagem sem conteúdo, sem imagens, sem cor, sem graça, sem nada.