quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Tudo que eu odeio

De repente, passei a odiar coisas que antes amava tão profundamente que chegavam a sufocar a alma. 
Sabe aquelas pessoas que andam com os pés virados para o lado de fora? Odeio todas. 
Odeio os cachorros e como eles podem ser absurdamente fofos. 
Odeio comer doces e a possibilidade de alguém me dizer que eu deveria comer menos. 
Odeio hambúrguer, odeio lanternas que se afogam. 
Odeio andar de pés descalços e odeio amar Jorge que um dia foi amado. 
Odeio tatear e ver que minhas mãos não possuem mais esse sentido. 
Odeio a ciclano e o fulano. 
Odeio a melhor banda, a melhor música e todos os seus derivados. 
Odeio one, two and three. 
Odeio que alguém tente me salvar, eu me salvo sozinha. 
Odeio mandolate e paçoca tanto quanto odeio aquela Bud. 
Odeio vinho e o amargo que ele deixa na boca. 
Odeio passear de tarde, odeio sorvete, odeio aquela calçada grande.
Odeio que montem sanduíches para mim e ainda ter que pagar por isso.
Odeio, e como odeio, strofonoff com arroz parboilizado.
Odeio o plano e a falta dele.
Odeio o céu que fez florir o chão e junto com ele a certeza que já não tenho.
Odeio tanto e que tristeza me dá!
Por fim, odeio esse buraco que surgiu (meu Deus, de onde veio?) aqui no peito, aqui bem dentro, onde ficava aquilo que nem o nome lembro mais.

Ah. E eu odeio cada mísera nota de 20 pila.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Me manter.


Outro dia, em meio a reflexões noturnas, me peguei pensando no que eu quero para minha vida.
Quero ter um bom emprego, me casar, ter minha família, ter amigos, viajar muito, ter 10 cachorros, pular de paraquedas, andar de moto, andar de bicicleta, andar por aí, sorrir pelo menos uma vez por dia, rir pelo menos uma vez por dia, ver um ET, ter um macaco, fazer a maior bola de chiclé que eu conseguir ...
Mas, por que eu quero tudo isso?
E a única resposta que me vem à mente é: para ser feliz.

Penso na vida e tudo que faço é para ser feliz.
Quero estudar para ter um bom emprego para ser feliz.
Quero me casar, ter minha família para ser feliz.
Quero ter um macaco para ser feliz.

E é exatamente esse "para ser feliz" que muitas vezes nos impede de ser.
Vivemos pensando tanto em sermos felizes que esquecemos de nos perguntar se hoje, neste exato momento, talvez já não estejamos felizes.

Parei tudo, me perguntei.
E, de fato, eu já sou muito feliz. Nesse exato momento, nem antes, nem depois, mas agora.
Sim, agora, enquanto ainda sou estudante, enquanto ainda não pulei de paraquedas, enquanto ainda não tenho um macaco e nem sequer sei andar de moto.
Neste exato momento, eu sou feliz.

Tudo que vem depois, todos os meus planos, são apenas uma forma de tentar manter toda essa paz e felicidade que estou vivendo agora.
Não faço mais nada para ser feliz.
Faço tudo para me manter feliz.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

2/4

Meu amor.
Como é difícil verbalizar meu amor por ti.
Não encontro palavras que descrevam exatamente o que eu sinto... Elas me parecem tão vagas diante da quantidade de coisas boas que me passam pela cabeça quando penso em ti.
Nesses 2/4 meses, minha vida deu um salto incrível.
E tu estavas nela.
Tu tens estado ao meu lado em todos os momentos, tens sido meu melhor amigo, meu apoio, meu parceiro, meu amor.
E como é bom poder te chamar de meu amor...
Como é bom acordar de manhã sabendo que o que eu sinto é recíproco.
Como é bom poder te amar e dividir meus dias e minha vida contigo.
Nunca imaginei que alguém pudesse me fazer tão feliz como tu me fazes.
Nunca pensei que eu poderia querer tanto a felicidade de alguém como eu quero a tua.
Diante de todos os obstáculos (distância e etc.) que a vida nos coloca, eu só consigo ter mais certeza que, no final das contas, o que eu quero é o teu abraço, o teu beijo, o teu sorriso.
Não importa quantas montanhas preciso escalar, eu sei que vale a pena cada suor derramado nessa nossa constante luta de amar.
Eu sei que, por mais que a vida me ofereça tantos outros caminhos, no final de tudo é pelo teu amor que eu espero.

Minha vida se divide entre antes e depois de te conhecer.
Nunca duvide de que a melhor parte dela veio depois disso.

Eu te quero por mais 2, 3, 4, INCONTÁVEIS meses.
Quero estar contigo sempre, enquanto tu... goste.

Eu te amo muito, mais do que imaginei poder amar.
Eu te quero muito.
Todos os dias, perto ou longe, só te quero em minha vida.

Me espera porque quinta estarei aí pra te fazer feliz e ser feliz contigo.

Eu te amo.
Te dua (albanês dhsuiadhsia)
Ich lieb Dich (alemão)
Ngo oiy ney a (chinÊs)
Sarang Heyo (coreano)
I love you
Te quiero
Mi amas vin (espartano =])
Je t'aime (francês ^^)
Te amo (latim *_*)
Ti amo (italianoo, nene)
Ya tebya liubliu (russo)
Wo ai ni (mandarim s2)

E em todas as línguas do mundo porque passe o tempo que passar, estejamos onde estivermos, meu amor por ti não muda.

domingo, 7 de julho de 2013

Carta para o meu velho pai.

(na foto, eu, feliz, com chiclé na boca)

Oi, pai!
Faz tempo que não conversamos, por isso resolvi escrever.
Sei que suas vistas já estão cansadas demais para ler algo muito extenso. Creio também que seu corpo esteja tão fraco que mal consiga pegar essa carta na mão.
Mas, pai, eu não posso deixar de falar com o senhor! Eu não posso e não quero.
Eu sei também que o senhor nunca responde minhas cartas porque não gosta de escrever, e eu gostaria de lhe dizer para não se preocupar com isso. Eu escrevo para o senhor porque o amo muito e quero deixar isso claro, nada mais. É lógico que eu ficaria muito feliz em receber alguma carta sua, mas jamais vou exigir nada com relação a isso, pois eu acredito que existem pessoas que gostam de escrever, outras que gostam de falar, outras que gostam de cantar e outras que simplesmente gostam de ler, apenas ler.
Eu acho que não tenho muitas novidades, a não ser que estou feliz.
Pois é, estranho eu falar isso né?
Aliás, estou tendo uma insônia danada, mas não por causa do medo e da dor que antes me dominavam por completo. Fique tranquilo que não é isso!
Na verdade, meu velho, eu simplesmente estou feliz demais para deitar a cabeça no travesseiro e esquecer por algumas horas o quanto a vida tem sido generosa comigo. 
Eu sei que não adianta tentar te enganar: os problemas continuam. Talvez estejam maiores que antes.
Mas, sabe, mesmo assim eu estou feliz, pai.
Eu só queria que o senhor soubesse disso e ficasse tranquilo, pois sei o quanto se preocupa com nós quatro.
Eu estou feliz e o sorriso tem sido uma constante em meu rosto. Espero que as rugas em meus olhos continuem aumentando gradativamente devido aos risos que dou durante o dia.
Se eu bem te conheço, você deve estar se perguntando qual o motivo de tanta felicidade, certo?
Ah, pai, são tantas coisas... Algumas são mais simples, como fazer o pessoal aqui de casa rir. Outras são  maiores, até maiores que eu, literalmente. E dessas outras, uma delas eu ainda nem consigo explicar direito. Não sei dizer ao certo o que é ou o que será. Eu só sei dizer como me sinto com esse tal motivo: feliz. Demais.
Prometo que te escrevo sobre tudo isso assim que der.
Como eu disse, já deve estar cansado demais para ler meus textos extensos e intermináveis.

Quando der, aparece aqui em casa. Sei lá, é que estou com saudade, sabe?

Bom, acho que é isso!

Um abraço apertado com a maior saudade que já existiu.

Da sua filha que te ama e sente tua falta mais que tudo.

Gabriele Schillo



terça-feira, 11 de junho de 2013

Diálogo com as estrelas


Se eu pudesse ter tido tempo suficiente pra te dizer o quanto sentiria tua falta, talvez tivesse te convencido a ficar, não é? Talvez eu não tenha insistido o suficiente, não tenha te oferecido o suficiente.

Quem sabe a gente podia ter começado do zero, replanejado os nossos planos porque, talvez, um final de semana de pescaria não fosse o suficiente para você, mas na hora me parecia uma ideia tão boa passar todas aquelas contigo contando casos e rindo e sorrindo sem parar... Era uma ideia boa e foi a única coisa que eu consegui te propor naquela hora: Pai, assim que tu sair daqui, a gente vai pescar, tá?!

Lembrando isso, hoje me sinto ridícula. Podia ter te falado tantas outras coisas tão melhores que essa. Podia ter te dito que por ti faria um bis gigante para você comer e uma meia de lã que eu sei tu ama. Eu poderia aprender a jogar futebol que nem profissional só pra tu não se sentir frustrado por não ter tido um filho homem. Ou eu podia te oferecer um carro novo, umas férias longas, uma casa na praia... Mas, caramba, eu só queria ir pescar! E por que, por que isso não foi o suficiente pra ti? Que motivo mais tu precisava para permanecer comigo, pai?

A gente tinha uma vida legal, meu velho, a gente tinha...
A gente tinha tantos sonhos e eu continuo com meu sonho tosco de ver meus filhos brincando contigo assim como tu brincava comigo. Mas o que eu fiz de tão errado assim, meu velho, pra tu me deixar e partir sem mais nem menos como se fosse a coisa mais certa a fazer com aqueles que te amam?!

Em que parte eu falhei que esperar pelo teu abraço de bom dia se tornou um utopia que me detona a alma dia após dia?
Eu podia ter te convencido a ficar, eu deveria ter te convencido a ficar. Mas meu discurso não foi bom, pai, eu sei que não foi. 
Ele nunca é. 
E é por isso que eu me cobro tanto, pai, ah, meu Deus, como eu me cobro!

Mas, se tu quiser voltar, meu velho, pode voltar! Não se acanhe!
Eu deixo as linhas prontas, as cadeiras postas, as iscas feitas e, quem sabe então, eu te convença de que pescar comigo mais uma vez não seja uma ideia tão ruim assim.


(um diálogo com todos os erros de português que ele merece)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Desabafo.



De repente é tarde demais pra tudo.
Pra qualquer sorriso ou troca de palavras.
Pra qualquer abraço cheio de saudade, pra qualquer tentativa de dizer que não era pra ser assim.
É tarde pra deixar as horas se perderem em longas conversas, é tarde pra deixar a esperança reacender.
É tão tarde que nem sei até que ponto vale a pena escrever sobre aquilo que foi, sobre o que poderia ter sido e sobre o que é.
É tarde pra se arrepender de qualquer coisa ou pra se reaprender a esperar.
É tarde pra dizer que o emaranhado de confusão, que a tormenta da maré já tinha passado. Aliás, passou há tão pouco tempo que mal deu tempo de dizer tudo que queria que a garganta dissesse ou que os olhos confidenciassem. 
É tarde demais pra ficar lembrando e rindo sozinha daquelas coisas que apertam o peito de saudade.
É tarde no meu tempo, nas minhas marcas, nas minhas lembranças.
O problema é que eu nunca pensei que o tarde se tornaria tão rápido tarde demais.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Por favor, preservem a inocência.


"O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer."


   Partindo dessa famosa frase de autoria do tão respeitado Albert Einstein, começo a escrever sobre um assunto que me intriga, me revolta, me dá náuseas e me deixa com sede de justiça.
     Venho aqui falar sobre abuso sexual de crianças e adolescentes.
   Para que todos possam compreender, eu trabalho com teatro e entre os meus trabalhos está um monólogo que trata sobre esse assunto. Esse monólogo, dirigido e escrito por Fabiano Tadeu Grazioli, tem como objetivo principal sensibilizar e informar a respeito desse assunto tão difícil de ser tratado. Digo isso, pois foi a afirmação que mais escutei por parte de psicólogas e assistentes sociais foi essa: esse é, de longe, um dos assuntos mais delicados e que merece um cuidado especial na hora de ser discutido.
    Bom, mas não quero falar sobre meu trabalho em si. Eu quero falar sobre o que aprendi e o que mudou dentro de mim ao trabalhar diretamente com crianças e adolescentes que sofreram abuso. Achei, no início, que eu estaria ajudando aquelas pessoas. Hoje, no entanto, compreendo que foram elas que me ajudaram.
    Certa vez, escrevendo sobre meu monólogo, disse a seguinte frase: "Ouvi histórias que jamais queria ter ouvido, vi olhares que jamais queria ter visto." De fato, as histórias que ouvi acredito que jamais deveriam ter acontecido. Contudo, elas aconteceram, continuam a acontecer e, sabe Deus o quanto me dói admitir isso, elas vão continuar acontecendo. 
      Em resumo, o que ouvi e o que vi foi o seguinte: meninos e meninas abusadas por homens e mulheres. Meninos e meninas abusadas por desconhecidos. Meninos e meninas abusadas por conhecidos de seus pais. Meninos e meninas abusados por vizinhos. Meninos e meninas abusados por adolescentes. Meninos e meninas abusados por parentes. Meninos e meninas abusados por avós. Meninos e meninas abusados por irmãos e irmãs. Meninos e meninas abusados pelos próprios pais...
      Quanto ao tempo: meninos e meninas abusados uma vez. Meninos e meninas abusados várias vezes. Meninos e meninas abusados durante parte da infância. Meninos e meninas abusados durante toda a infância. Meninos e meninas que foram abusados durante a infância e continuaram sofrendo abuso durante a adolescência...
     Meninos e meninas brancos, negros, pardos, índios... Meninos e meninas miseráveis, pobres, de classe média, de classe alta, de qualquer classe.
       Ouvi histórias de meninos e meninas abusados 'apenas' com toque. Soube de meninos e meninas que foram estuprados. Meninos e meninas que foram violentados até a morte.
       Mas, afinal, que direito tem um ser humano de roubar a inocência de uma criança? Que direito tem esse ser humano de roubar o brilho nos olhos de alguém que tantos sonhos tem, tanta vida tem? Que direito tem alguém de ver na ingenuidade uma forma fácil de satisfazer seus próprios prazeres? Que direito tem, meu Deus, que direito? Isso é perverso demais, é desumano demais.
        Como se não pudesse piorar, ainda tomo consciência de que casos assim acontecem diariamente, em todos os lugares.
          Eu sei que a maioria dos agressores sofreu abuso durante a infância. Sei que é algo que precisa ser tratado tanto com as vítimas quanto com os agressores. Mas isso não diminui minha repulsa e meu nojo daqueles que fazem isso.
          Até uns anos atrás, isso era um assunto que não podia ser tratado dentro das escolas. Aliás, pasmem! Ainda existem escolas que não permitem que esse assunto seja abordado com seus alunos. Eu vi muitas assistentes sociais 'brigando' para que as escolas abrissem um espaço para que nós fôssemos até lá e tentássemos de alguma forma ajudar aquelas crianças. Mas, como sempre, ainda tem gente que pensa que 'aqui não acontece esse tipo de coisa'.
       Diferentemente dessas pessoas, eu tenho convicção de uma coisa: jamais vou fechar os olhos para essa realidade. Pra mim, quem não denuncia, quem fica quieto é quase tão culpado quanto quem faz. Eu tenho nojo e repulsa de qualquer um que faça ou seja cúmplice de casos assim. Não vou mudar minha opinião a respeito disso.
       Eu queria escrever mais, mas vou deixar para um próximo texto. Esse é um assunto que não tem limite de discussão e que deve ser discutido sempre.
       E, por favor, se souber de algo, se suspeitar de alguém, DENUNCIE! 
            (Disque 100 ou vá ao CREA ou CRAS da sua cidade)
       

Gabriele Dors Schillo
         
       
         

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Carta para o futuro


Esta carta, de minha própria autoria, foi lida como forma de homenagear o nono e a nona nos seus 68 anos de matrimônio.
Emoção à flor da pele.
Espero que gostem.

CARTA PARA O FUTURO

"Olá!
Aqui quem fala é uma das netas da Humilde e do Jacob Dors cujo nome não importa, mas que tem a certeza de que a experiência de ter sido neta dessas duas personalidades causa grande orgulho e é motivo de inspiração sem fim.
Gostaria de dizer que não ouso, em momento algum, parecer mais do que uma simples transmissora de meus próprios pensamentos com relação a tudo que aprendi convivendo e observando esse casal que hoje comemora 68 anos de matrimônio. Sou apenas mais uma dentre tantos que, com certeza, pensam e sentem o mesmo que eu.
Quando resolvi escrever-lhes essa carta, foi para que todos, de alguma forma, se identificassem com ela e se sentissem também autores dessas palavras que pouco representam diante da dimensão do amor que temos pelos dois maiores exemplos de nossas vidas.
Partindo do princípio, quando penso na figura desse casal, surge em minha mente uma lista de adjetivos que não é menor do que a lista de adjetivos que relaciono à palavra Deus. Se isso parecer exagero para você, meu caro leitor, então lhe aconselho que pare agora mesmo de ler essa carta. Caso contrário, siga em frente.
Como ia dizendo, quando paro e penso a respeito desse grande homem e dessa grande mulher, não consigo não me emocionar, tamanha é a admiração e o respeito que tenho por eles. Penso neles e meu coração explode de amor, de carinho, de paz. Quem nunca passou por uma fase difícil e não foi até a casa do nono e da nona para encontrar um pouco de paz, para pensar a respeito da vida ou simplesmente aproveitar e admirar a imagem desses dois ‘bons velhinhos’ sentados um ao lado do outro, na cozinha, com as mãos incansavelmente unidas?
Quem nunca procurou no olhar doce e afável da nona uma resposta para todas as perguntas? Quem nunca se sentiu a pessoa mais segura do mundo após pedir para a nona que fizesse uma oração em sua intenção? Quem nunca sentiu o coração transbordar de alegria ao ouvir a risada sincera e melódica dela? Quem nunca sentiu o coração se partir ao ver a dor dela? Quem nunca se sentiu a pessoa mais feliz do mundo a cada vitória dela?
E o nono, minha gente... Quem nunca se emocionou ao ouvir aquela linda voz entoar cânticos já esquecidos por muitos, mas que na voz impecável dele se tornam inéditos e abençoados? Quem nunca sentiu a força de Deus na oração banhada a fé e esperança que ele faz todos os dias, sem falhar? Quem nunca se impressionou com suas histórias repletas de ensinamentos e que são exemplos de força, união e fé?
Eles são exemplo de praticamente tudo.
São exemplo de fé, de muita fé. Não há nada no mundo que abale a fé deles. Não há dor, não há perda, não há tristeza que faça diminuir a fé deles. Fé, fé e fé. Foi com ela que eles venceram todos os obstáculos da vida. É com ela que eles vivem até hoje.
São exemplo de casal. Eu, particularmente, não vejo imagem que se compare a de eles dois sentados, um ao lado do outro, sempre de mãos dadas. Não conheço nenhum outro casal que, após 68 anos, ainda pratique o amor de uma forma tão pura como a deles. Não consigo imaginar palavras mais sinceras do que as que cada um deles dedica ao outro. E vocês, meus caros leitores, não podem abrir mão de acreditar que, daqui alguns anos, vocês estejam da mesma forma que eles. Acreditar no amor e respeitar o outro, talvez esse seja o segredo. Ou talvez não exista uma fórmula, o amor talvez simplesmente aconteça. O fato, meus queridos, é que com eles aconteceu e acontece até hoje. E a cada dia se torna mais forte e sincero. Eu admiro isso e quero ser pelo menos um pouco do que eles são hoje. E eu sei que você também quer...
São exemplo de família. Pai, mãe, tio, tia, irmão, irmã, avô, avó... Basta olhar para o seu lado agora e ver os frutos deles espalhados por todos os cantos. Não deve ter sido nada fácil criar tantos filhos e dedicar o mesmo amor a cada um deles. É, no mínimo, obrigação de cada filho agradecer a Deus todos os dias por terem pais tão bons quanto eles. É obrigação também dos netos demonstrarem incansavelmente a gratidão por eles terem sido mais que avós, por terem sido como segundos pais. Agradecer por todos os conselhos, pelos abraços carinhosos, pelas orações, pela dedicação e, principalmente, pela força que eles sempre tiveram diante das mais difíceis situações.
Mais uma vez olhe para o seu lado. O que você vê, então? Uma grande família reunida por um único propósito: comemorar e celebrar a vitória da vida. Isso mesmo: A VITÓRIA DA VIDA. Porque eles venceram tudo para estarem aqui hoje. Venceram as dificuldades, venceram o medo, venceram a ausência de pessoas queridas, venceram a saudade, venceram doenças, venceram e continuam vencendo. Eles são a representação viva do que é ser vitorioso e, acima de tudo, do que é ser vitorioso sem perder a humildade.
Humildade. Se existe uma palavra no dicionário que possa descrevê-los nesse momento é essa: HUMILDADE. Devemos concordar que não é nada fácil permanecer humilde diante das tentações da vida, mas eles conseguiram.
Acredito que não poderei escrever exatamente tudo que penso a respeito deles. Acredito que você também não conseguiria. Portanto, paro agora e deixo apenas algumas palavras de William Shakespeare sobre o tempo e o amor que, afinal, é o que estamos comemorando hoje:
O tempo é muito lento para os que esperam,
Muito 
rápido para os que têm medo,
Muito longo para os que lamentam,
Muito curto para os que festejam,
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.”
Um grande abraço! Com todo o carinho do mundo..."

sexta-feira, 15 de junho de 2012

(...)



Eu tenho um segredo para contar, portanto fiquem quietos e me ouçam.
O que eu tenho para contar é algo de tamanha importância que não cabe descrever aqui.
Mas, eu preciso de silêncio, sobretudo.
Preciso que o vento se acalme e que a brisa seja tão leve que não cause barulho algum em meus ouvidos.
Preciso que os carros se aquietem, que eles parem com toda essa loucura de correr contra o tempo para chegar a tempo.
Por mais estranho que pareça, eu preciso que vocês parem de respirar por alguns segundos, pois o barulho que o ar faz quando entra nos pulmões pode atrapalhar e vocês podem não escutar meu segredo.
Para o silêncio absoluto, preciso que os bebês parem de chorar por um breve instante. Portanto, se você tem algum bebê por perto, acalme-o cantarolando canção qualquer que o faça adormecer.
Eu preciso também que se calem os passarinhos. Sei que o cantar deles é tão belo que não deveria cessar nunca, mas eu preciso desse silêncio. Talvez você more tão rodeado de pedra e cimento que jamais ouça o som dos passarinhos, então esse pedido não vale para você.
Preciso que meus vizinhos parem de discutir, pois, se eles continuarem, não terei silêncio absoluto e não poderei contar meu segredo.
Preciso que os elevadores parem de funcionar. Suba pelas escadas com pés de algodão para não fazer barulho.
Preciso que parem de escrever, de digitar. O som do teclado se ouvirá a distâncias infinitas quando os outros sons se calarem.
Fique aí, exatamente como está.
O silêncio é completo.
Não há nada que me impeça de contar meu segredo.
Tudo está em silêncio, em total silêncio.
Agora ouça. Ouça atentamente:
O silêncio.

(palavras soltas, sem muito sentido talvez.)

sábado, 19 de maio de 2012

Carta para um amigo

Olá!
Como você está?
É, você está sofrendo, eu bem sei.
E como fico admirada com o seu sorriso enfeitando um rosto com tantas marcas de sofrimento. Fico admirada porque sei que não são poucas as vezes em que esse sorriso brotou de um esforço estupidamente grande.
Por tantas e tantas vezes esqueci que você não é um super-herói e lhe cobrei, em pensamento, que colocasse o brilho no olho que me encorajou tanto quanto o "perder das contas" no qual me encontro agora.
Porque você faz parte da minha história e nela tem um papel de importância maior que a importância que dou para aquilo que realmente importa.
Não quero ser redundante, de forma alguma. Quero apenas que saiba que aqui se encontra alguém que quer dizer e escrever e cantarolar e balbuciar e, por fim, falar coisas que dificilmente poderia dizer de outra forma se não essa.

Que batalha, heim meu irmão?
Essa vida não é fácil, eu já sei. Porque cada degrau que subimos parece trazer consigo um abismo como obstáculo a ser superado. E cada degrau que você sobe é motivo de alegria para aqueles que só querem o seu bem. E cada abismo que aparece na sua frente é motivo de angústia para aqueles que não querem o ver sofrer.
E mesmo quando a vida insiste em lhe desafiar das formas mais infelizes e, por vezes, até mais improváveis possíveis, você é exemplo e se torna mais admirável ainda.
E que exemplo, não é?
Exemplo que leva uma multidão de pessoas que uma vez ou outra citam seu nome como justificativa para seguir lutando.
E por tamanho exemplo que é, eu fico mais orgulhosa ainda de ter você como um amigo, um irmão.

Hoje, a batalha é dura, é cruel, é triste, é grande. É d-o-l-o-r-o-s-a.
Mas, é apenas mais uma batalha. E dela você vai sair vencedor.
Porque não consigo imaginar qualquer fracasso da sua parte e não vou permitir que isso aconteça.
Lute, acredite, lute, ame, lute, chore, lute, sonhe, lute.
Lute como eu lutei e como continuo a lutar, lute porque foi você quem também me ensinou a lutar.

Já escrevi tantos textos nesse blog que poucos leem.
E, se observar bem, escrevi apenas sobre aquele que realmente importam na minha vida.
Escrevi sobre aqueles que admiro, sobre aqueles que são força em forma humana, que são coragem plena.
E agora chegou a sua vez, meu amigo!
Não que seja a maior homenagem do mundo, pois sei de muitas outras tão lindas que você já recebeu que admito sentir certa vergonha ao prestar essa singela homenagem para você.
Mas, preciso, de alguma forma, agradecer.
Agradecer por todos os abraços, todas as palavras de carinho, todas as risadas que abafaram o choro.
Obrigada pelas sábias palavras, pelos conselhos.
Obrigada até mesmo por ser tão chato ao falar do seu time e insistir em humilhar o meu.
Talvez se não fosse por tudo isso, hoje eu não estaria aqui expondo tudo isso.
São poucas as pessoas para as quais eu devo meu agradecimento por estar onde estou hoje, por estar bem como estou e você, meu grande amigo, está entre elas.
Está entre elas porque não há outro lugar no qual você possa se encaixar na minha vida.
Obrigada, obrigada e obrigada.

Estou contigo assim como você sempre esteve comigo.

Ah! E quanto a mim... Eu estou bem! Muito bem! 
Fica com Deus e com todas as coisas boas desse mundo.

Um abraço apertado, um olhar sincero e uma palavra bonita.

Com carinho,
       Gabriele Dors Schillo


sábado, 14 de abril de 2012

Tanto tempo.


Você tem um segredo?
É?
E por que esconder por tanto tempo, tanto tempo, tanto tempo que chego a perder as contas?
E por que deixar ele virar isso, te fazer virar isso, isso que nem enxergo, que não quero enxergar?
E por que tanto tempo, tanto tempo, tan-to tem-po...

Podia ter falado, gritado.
Podia ter berrado.
Podia ter calado.
Podia ter evitado.

Mas, por que não foi a única? Não é a única?
Por que não é a última a se calar, se fechar, a tornar um segredo que não deveria ser?

E por que por tanto tempo, tanto tempo, tanta coisa acontecendo, e tanto tempo?

Podia ter batido.
Podia ter chutado.
Podia ter fugido.
Podia ter matado.

Mas, minha pequena, quem lhe julga não é nada.
Quem lhe julga é ignorante.
Porque, minha pequena, pequena era.
E, por tanto tempo, tanto tempo, tanto tempo pequena foi.

Podia ter falado, podia ter contado.
Mas que medo tinha você?
Que fantasma lhe atormentava a ponto de.?

Não lhe julgo, ignorante não sou.
Nem a você, nem a nenhuma outra.
Mas me conta, me conta por favor!
Por que por tanto tempo, tanto tempo, mesmo grande, calada foi?

Me conta agora, eu estou sem sono, tenho a mente aberta para lhe ouvir falar.
Me conta agora, eu estou bem, tenho tudo que precisa se quiser chorar.
Me conta agora, eu grande sou, não tenha medo de me olhar.

E eu lhe ajudo, como sempre quis, como quero agora.
Eu lhe devolvo todo tempo que demorou.
Mas por favor, me entrega a flor que ele levou.
Me entrega o sorriso que ele roubou.
Me entrega e eu lhe devolvo em dobro tudo que sobrou.

Porque por tanto tempo, tanto tempo.
eu.
também.
fui.


(Não tente entender, não há nada para ser compreendido aqui, nem por você, nem por mim.)

sábado, 7 de abril de 2012

Homenagem à minha guerreira.


Como é bom te ter na minha vida.
E como é pretensiosa essa minha colocação, pois, afinal, foi tu mesma quem me geraste e me fizeste filha tua.
Como é bom o teu abraço, como é melódica tua risada.
E essa tua meiguice parece demorar a revelar a mulher que se faz homem nos momentos mais difíceis.
Disse o poeta uma vez: Era ela mais mulher que eu era homem. (adaptado)
És tu mais preciosa que a pérola que embeleza teu pescoço.
És mais doce que o mel que tua boca saboreia.
És tanto para mim que nem ouso revelar em palavras tanto amor.
Seria banal demais dizer para ti coisas que qualquer um diz a qualquer outro.
Te amar é a forma mais pura de sentimento que há em mim.
Nesse amor não há mágoa, não há ressentimento, não há medida.
Esse amor, minha mãe, é sincero e se faz presente no meu coração a cada segundo, sem falhar momento qualquer.
Tu és tão exemplar aos meus olhos que meu maior desejo é ser, a cada dia, um pouco mais de ti.
Não quero parecer exagerada, mas seria falso demais dizer que não te amo tanto quanto digo (ou mais).

Tu és linda!
E a cada ano te tornas mais amada, mais querida, mais e mais em mim.

Um feliz aniversário a ti que me seguraste meses em teu ventre, que me carregaste meses em teus braços e que, mesmo depois de adulta, ainda me carregas e és suporte forte, és fortaleza única na qual eu sei que posso ficar segura sempre que precisar.

Eu te amo.
Um feliz aniversário, minha guerreira.

(Post simples, mas sincero por inteiro)

sábado, 24 de março de 2012

Eu estava aqui pensando...


Então, como se chama mesmo aquela coisa...
Aquilo que mostra os dentes e...
Como é mesmo?
Aquilo que você tem que esticar os lábios como um elástico...
É na boca, acontece na boca...
É... É...
Ah, sim! Sorriso!
Estou com um agora.
Sem motivo aparente.
Isso não me acontecia há um bom tempo nessa face que até pouco jorrava lágrimas de aparente dor.

Pois é.
Acho que desacostumei a sorrir depois que. E desacostumei a achar isso comum depois de.
Mas, isso não vem ao caso.

O fato é que estou com um sorriso bobo, torto e sincero.
Minha mandíbula dói, mas não há dor mais prazerosa que essa de sorrir o dia todo, a todo instante.
O motivo?
Pois bem.
O motivo, deixe-me pensar por um breve instante.
(breve instante)
Não sei...
Talvez possa ser algo tão óbvio e lógico que eu esteja querendo evitar por achar que não é, mesmo sendo.
Ou, talvez, nem seja tão lógico assim.
Que loucura quando tentamos achar respostas para a dor e não as encontramos.
Loucura maior é tentar achar respostas para a felicidade quando sabemos que a felicidade não é dotada de uma explicação racional.
E mais: felicidade não é para ser explicada, é para ser sentida.
Tudo bem, eu sei que parece meio clichê, mas não encontro nada melhor no momento.

Então, o que eu ia dizer mesmo?
Ah, claro!
Eu estou feliz, apesar de tantas preocupações (que não são poucas, nem pequenas) eu estou feliz.
Feliz por conseguir lidar com cada uma delas.
Feliz porque não há palavra melhor que me explique agora.
Feliz porque consigo ser mais forte do que antes achei que fosse.

Não deixei de chorar.
Continuo a lubrificar meus olhos com um sentimento puro de amor, saudade, preocupação e, por vezes, tristeza.
Mas, essa tristeza já não impera mais aqui.
Aqui impera a alegria, a fé, o sonho, a luta, a vontade.

E eu devo isso a tantos, tantos...
A você, minha mãe amada, querida.
A você, minha família imperfeita.
A vocês, meus amigos (os verdadeiros), meus irmãos que escolhi.
Eu devo isso a Ti, meu Deus, que em momento algum me abandonaste.
Devo a tantos que se fosse nomear não caberia aqui.

E devo a mim.
Porque nada seria possível hoje se eu tivesse desistido por inteiro.
Estaria nadando em outros mares, voando em outros ares, queimando em outros infernos.

Obrigada a você, a mim, a nós.

Eu estou feliz.
E deixo aqui registrado para a prosperidade que pode, sem querer, tentar me roubar de novo esse sentimento que eu quero levar para a vida inteira.

HOJE EU FUI FELIZ.
E ESPERO CONTINUAR SENDO.


(créditos da foto a minha querida Nizer Freitas)




quinta-feira, 8 de março de 2012

Amor Meu, de mim para mim mesma.



Eu estou querendo mudar.
Mudar do verbo "mudar para melhor", entende?
E mudar para melhor requer que eu abra mão de algumas coisas.
Não que eu não goste da forma como sou, muito pelo contrário, eu me amo por inteira, eu tenho amor-próprio, eu amo ser feliz, eu amo a vida e, acima de tudo, amo minha essência.
Amo essa essência que eu trago de berço, trago da infância, trago da adolescência e levarei comigo até meu último piscar de olhos.
Admito que até pouco tempo (muito pouco tempo) eu não tinha todo esse amor por mim mesma.
Admito que falhei comigo mesma. Não contigo, nem com ela, nem com ele. CO-MI-GO.
Falhei quando tentei ver as minhas qualidades, que eu sabia que tinha e tenho, no corpo de outras pessoas.
Falhei quando tentei inconscientemente mudar outras pessoas como forma de torná-las mais próximas de uma realidade que é minha e que, por sinal, é MAGNÍFICA!
Uma realidade que nem eu mesma lembrava que era minha e por isso buscava implantá-la em outros.
Uma realidade de lutas e vitórias que me renderam muitas dores, muitas lágrimas e muitos sorrisos.
Uma realidade em que eu mesma posso decidir ser ou não ser feliz.
Uma realidade em que os meus sonhos são MEUS... E como é bom poder sonhar os MEUS sonhos e não o de vocês.
E melhor ainda saber que eu posso lutar.
Eu queria que sentissem minha dor para amadurecerem, que tivessem os mesmos desafios para crescerem como pessoas, que tivessem que lutar como lutei para darem valor ao mais simples gesto, à mais simples forma de 'ser' sem necessariamente 'ter'.
Minha vida inteira foi luta e como poderia eu querer fugir dessa minha característica de guerreira justo agora?
Como pude eu por certo tempo distanciar-me de mim mesma, dessa minha essência só para tentar mostrar aos outros que não há nada mais lindo, puro e humano que o amor?
Cada um deve aprender por si só.
(Se você ainda não aprendeu, calma, a vida te mostra. Uma hora ou outra ela de mostra.)

Como é doce a percepção de tudo isso.
Como é leve o olhar sobre mim mesma nesse momento.
Como é lindo esse meu mundo onde eu amo, eu luto, eu sonho, eu vivo!

Eu quero mudar.
E digo mudar do verbo "mudar para melhor".

Porque eu pequei comigo mesma quando me deixei ser desvalorizada, quando me deixei ser enganada, quando deixei que o mais puro de mim, esse coração que não é de aço e que emana amor por todos os lados, fosse minimizado, maltratado e tratado como coisa qualquer a ser jogada aqui, ali e lá.

Eu pequei quando não me amei para amar os outros.
Pequei quando deixei que banalizassem minha essência de ser verdade, de ser inteira e nunca, jamais!, pela metade.

Por isso eu quero mudar, mas não para agradar alguém, porque afinal é impossível agradar todo mundo. É impossível viver querendo agradar o mundo alheio.
Não quero mudar a cor do cabelo, a roupa que eu visto ou qualquer coisa do tipo tão fútil perto daquilo que pode ser melhorado.
Eu quero mudar o que agora, escrevendo esse texto, percebi que já mudei.
Porque agora eu me amo como eu sempre quis.
Agora eu sou capaz de ser feliz, mais e mais e mais.
E sempre.


Só depende de mim.


(Foto: créditos à fotógrafa Nízer Freitas)


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Pra sempre!



Conversando com uma pessoa muito importante e especial pra mim, a mesma das outras vezes, das passadas e das futuras, lembrei um pensamento que por muito tempo povoou minha mente e me fez tomar grandes decisões. Grandes para mim, recordo, e que talvez não sejam para ti.
Essa história de que ficar lembrando de quem já se foi só faz doer mais a alma.
Por tantas vezes me peguei olhando fotos, recordando fatos, ouvindo coisas que me fizeram transbordar o que há de mais puro em mim por entre essas janelas que são capazes de revelar o mais íntimo que há em nós.
Sim, eu chorei e ainda choro quando lembro.
Mas, parece que as pessoas associam o choro diretamente à dor. De fato, sinto dor.
Mas, ao mesmo tempo, lembrar quem ele foi e quem ele é ainda me faz muito bem.
É maravilhoso poder prestar homenagens, poder falar dele, poder fazê-lo conhecido aos desconhecidos.
Poder fazê-lo de exemplo para mim, para nós.
Por que não lembrar?
Por que não lembrar as risadas incontáveis, os abraços tímidos, as conversas sérias, a sua forma de ser humilde sendo tanto para tantos?
Por que não lembrar a sua constante luta, a sua fé inabalável, os seus sonhos simples, a sua preocupação com quem nem se sabe mais?
Por que não falar de ti, pai, que tanto fez por mim e nada pude dar em troca? Eu não tive tempo, não me restou vida em ti para dar mais de mim.
E dar minha vida por ti e poder eu ser em teu coração o que já não enxergo em mim.
Ô meu pai!
Ô meu velho!
Tão bem vividos, e sofridos, e lutados, e sonhados 51 anos de vida.
51 anos estacionados frente a vitórias, derrotas, conquistas e fracassos.
Ô pai! Nunca te achei perfeito, tu tinhas tantos, mas tantos defeitos!
Mas o que me interessam eles?
Aprendo com teus erros, aprendo com teus acertos, aprendo contigo, meu velho!
E naquela música cantarolada enquanto te velava no teu doce sono eterno, o violeiro arrancou da garganta quase um gemido que dizia: 'Mas o tempo cercou minha estrada, o cansaço me dominou, minhas vistas se escureceram e o final desta vida chegou.'
E nestas palavras eu entendi que até o mais bravo dos guerreiros um dia se vai.
E o mais bravo guerreiro morre em batalha.
E foi assim, desse jeito que eu te guardei em meus pensamentos.
Um guerreiro forte, persistente, paciente, sábio.
Que teve orgulho suficiente para lutar uma guerra sozinho, mas que teve humildade de sobra para encarar o final da batalha.

Escrevi tanto, mas só queria dizer que apesar de a vida só ter permitido a ele que vivesse apenas 51 anos, ainda comemoro os anos que passaram desde o seu nascimento.

55 anos... E poder lembrar-me de todos os outros que virão, embora não possa te dar aquele abraço de parabéns.
Embora não possa ouvir tua voz agradecendo meu abraço.
Ainda assim, meu pai, agradeço porque há 55 anos ouviu-se o choro de uma criança que um dia se tornaria tão importante e essencial na minha vida.
Muito obrigada por me dar a honra de ser tua filha.
Obrigada por me ensinares tudo que aprendi.
Obrigada por seres o exemplo claro de honestidade e humildade.
Obrigada por, mesmo depois de partir, continuares sendo tão presente em minha vida.
Eu te agradeço, pai, por tudo e continuarei a agradecer enquanto ainda tiver voz para fazer meu amor por ti ressoar por todos os cantos.

Eu te amo.
E eu vou te amar.
Sempre.

(Texto escrito em homenagem ao aniversário de Valério Schillo, 55 anos, dia 23 de janeiro de 2012)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Um presente de natal...


Esse post é só para compartilhar um momento maravilhoso que acabou de acontecer comigo.
Esse senhor da foto se chama Osvaldo.
Nos conhecemos em meados do ano de 2006.
Desde então, sem falhar um natal sequer, ele me traz uma lembrança.
O único problema é que eu nunca estava em casa, por isso ele deixava ou na caixinha do correio ou entregava para outra pessoa que estivesse em casa.
Hoje, no entanto, recebi o melhor presente que foi estar em casa no momento em que ele foi me levar a tradicional lembrança de todos os natais.
Sua visita rendeu sorrisos, risos, lágrimas.
Um senhor com uma família maravilhosa que viu em mim algo que ninguém nunca viu, nem eu mesma.
E ele faz questão de todos os anos me lembrar do quanto eu posso ser melhor, do quanto eu sou melhor e do quanto ele quer me ver feliz.
Um amor singelo cultivado ano após ano em encontros esporádicos nas ruas dessa pacata cidade.
É incrível ver a alegria que ele sente ao me ver e o quanto é sincero em suas palavras.
É incrível como ele não tem medo de demonstrar o carinho que tem por mim e por tantas outras pessoas.
Ele veio e me trouxe o melhor presente: a esperança.
Essa que por alguns momentos parecia ter desaparecido completamente.
As palavras dele foram simples, mas me mostraram que nem tudo está perdido, ou melhor, nada está perdido.
Que há muita coisa para se fazer ainda.
Há um Deus que nos ama e que nunca vai nos abandonar.

Depois de muita conversa, ele convidou a Fátima para se juntar a nós e rezar um Pai Nosso.
No final de tudo falou em polonês uma palavra que eu não entendi.
Ele sorriu para mim e para a Fátima e disse: Amemo-nos.
Amemos as pessoas sem medo, amemos que é o melhor que podemos fazer.

Repetiu a mesma coisa mais algumas vezes com lágrima nos olhos.
Se despediu e desejou, por fim: Sejas feliz, meu anjo.

Obrigada, meu Deus, por eu ter pessoas assim.
Obrigada, meu Deus, por existirem pessoas assim.
Obrigada, meu Deus, muito obrigada!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Teoria da História Cíclica


(O ponteiro do relógio sempre torna a passar pelo mesmo lugar.)

"A história é cíclica", disse uma tal professora para uma tal pessoa.
Disso eu já sabia, só não queria admitir que seria assim comigo também.
Porque existe uma parte da minha vida, essa parte que se repete há tempos, da qual eu não consigo me desprender.
Aconteça o que acontecer, haja o que houver, passe o tempo que passar, sempre vai ser assim, da mesma forma.
Muda o lugar, mudam as pessoas ao redor, muda a ocasião, mas existe uma coisa que não muda.
Uma coisa que faz pulsar mais rápido aquilo que chamam de coração e que eu insisto em chamar de um órgão de concreto revestido de aço.
É uma coisa diferente, que não acontece sempre com todo mundo.
Aliás, não acontece com mais ninguém, conclui eu certo dia.
É uma coisa que grita aos olhos e que silencia a boca.
É uma coisa que eu não consigo explicar com uma única palavra.
É algo que faz o riso permanecer quase o tempo todo no rosto.
E esse riso bobo tenta buscar motivos para estar ali e para isso fica contando piadas e falando bobagens.
Mas, na verdade, ele só está ali porque é ali que ele deve estar quando a história se repete.
Esse sorriso tosco que engrandece a boca só tenta dizer o que a voz emudece.
Não, não estou falando de paixão, amor... Nem tampouco falo de uma simples amizade.
É um algo a mais, um toque a mais.
Porque enquanto muitos não se sustentam sequer com beijos demorados e apaixonados, nós nos sustentamos apenas com o toque das mãos.
Aquele toque sutil que revela o carinho e a preocupação, que revela que esse órgão de concreto revestido de aço ainda pode bombear um pouco de sangue, um pouco de carinho, um pouco de tudo que há de bom.
Não há nada, nada que se compare, nada que se explique.
Como não há palavra que determine, portanto vou apenas chamar isso de Teoria da História Cíclica.
Mas, não se engane, ela não vale pra todo mundo.
Ela não acontece com todo mundo.
Ela é instável e pode causar dor.
É uma teoria que não se aplica às pessoas insensíveis.
Em algum momento ela pode te decepcionar, mas com certeza, quando tudo se repetir e se estabilizar de vez, você vai perceber que não poderia ter sido diferente.
Vai perceber que era exatamente assim que tinha que ser.
Que não há como mudar uma história cíclica.
Não há como mudar uma teoria.
Não há como mudar um motivo.
Esse que, por vezes, é o motivo das tuas lágrimas, mas que, na maioria dos dias, se você permitir, pode vir a ser a grande causa do teu sorriso.

(Porque não há amizade sem amor. Não basta ser A.G., tem que ser P.G.)

domingo, 20 de novembro de 2011


O mar amava a lua porque ela se refletia na sua extensa superfície.
Ele via ela, mas ela nem sabia que ele existia.
Esse mar tão gigante podia carregar dentro de si todo o amor que a lua precisava.
Ele podia lhe oferecer as mais diversas experiências, as mais diversas espécies de seres, desde os mais belos até os que se escondiam no obscuro de sua profundeza.

Todas as noites, sem exceção, o mar admirava a lua.
Admirava a forma como ela existia, e isso bastava.
Por mais que às vezes ela diminuía seu brilho em seu ciclo natural, ainda assim o mar encontrava nela detalhes tão belos que nem ela mesma podia imaginar.

Era um amor impossível.
O mar que amava a lua.
A lua que não era mar.
O reflexo dela unia os dois.
O reflexo dela unia o mar ao mais sincero sentimento que ele guardava dentro dele mesmo.

E esse sentimento doía, ardia, queimava, chorava, gritava querendo se fazer ouvir.
Mas, por mais que gritasse, o mar continuava silencioso e inexistente para a lua.
Essa coisa de querer, mas querer tanto que as forças para lutar acabam se perdendo.
Essa coisa de amar, mas amar tanto que chega a se tornar raiva, raiva de si mesmo.

Esse mar que amava, que ninguém amava, que virava pó aos poucos.
Que virava pó.
Aos poucos virava pó.
E virava pó.
Virava pó.
Pó.

domingo, 28 de agosto de 2011

A verdade é que...


Eu não sei se você sabe...
É, você. Você mesmo.
Eu não sei se você sabe, mas existe alguma coisa em você que me hipnotiza.
Não é apenas a beleza, o jeito, a inteligência ou o modo de andar.
É algo a mais... Talvez seja algo que esteja escondido nesse seu sorriso e nessa sua forma de sorrir com os olhos.
É um mistério.
Não quero fazer parecer algo que não é.
Nem tão pouco quero ocultar esse sentimento dentro de mim.

Pra ser sincera, eu gostaria de bater na sua porta.
Bater insistentemente até você abrir.
E, depois de aberta a porta, provavelmente eu ficaria sem reação.
Não porque eu não estivesse preparada para essa situação, mas certamente ficaria tonta (como sempre) ao ver você parado na porta olhando para mim sem entender o que está acontecendo.
E esse seu olhar de dúvida me deixaria mais tonta ainda.
Eu inventaria uma desculpa esfarrapada.
Muito esfarrapada.
Afinal, por que eu iria bater justo na sua porta em um momento como esse?
Mas, eu não teria medo.
Já me arrisquei tantas vezes, uma a mais não faria diferença.
Por você vale a pena.
Vale a pena esperar meses para ouvir as mesmas respostas, as mesmas desculpas.
Eu poderia poupar você de todo esse discurso repetido.
Mas eu não quero poupar nada. Nem a mim, nem a você.

Às vezes me pergunto se não seria mais fácil te esquecer.
Tantos meses já teriam feito você virar pó em minha memória.
Mas você não vira. Você insiste. Você fica.
Você ressurge, você pede e você se arrepende.
E se arrepende de novo, e de novo, e mais uma vez.

E a cada arrependimento seu, eu digo a mim mesma para não me apaixonar por ti.
Você é proibido.
E por mais que eu repita mil vezes isso para mim, sempre acabo enrolada na mesma teia.
Essa teia cheia de encontros e desencontros.
Esse emaranhado de sentimentos e vontades que só tenho com você.

Eu sei que, agora, não posso pedir muito.
Ou melhor, não posso pedir nada.
Por isso sigo assim, dessa forma: aproveitando sempre o máximo do mínimo que você pode me dar.